CONTRA A IDOLATRIA DO EU

Não é de se espantar, o quanto, em dias atuais, somos assaltados pelo pecado da soberba. Queremos sempre que as coisas aconteçam conforme nossa vontade, que tenhamos razão em nossas ponderações, que sejamos bem falados e que os holofotes se voltem para o nosso ego. E, de repente, ao nos depararmos com a figura de Cristo, vemos que tudo isso é supérfluo e que não temos mérito algum, quando ocupamos o lugar, que por ordem natural, é de Deus.

Na Carta aos Efésios, no seu quinto capítulo, São Paulo nos exorta acerca da idolatria, repreendendo a fornicação, a impureza ou avareza, pois fazem com que se perca a herança do Reino de Deus. E como, em nosso mundo, esses pecados tem levado as almas ao mergulho profundo na devassidão dos vícios. A sociedade em que vivemos se encontra totalmente erotizada, os prazeres carnais são imperativos necessários colocados com o sinônimo de felicidade e o dinheiro é visto como o bem mais precioso, na qual se deve estar em constante busca.

Grandes ilusões! Tudo isso só conduz a inflar, em níveis progressivos, o nocivo pecado do orgulho próprio, fazendo com que nos afastemos dos conselhos evangélicos e nos deixando esvaziados da graça de Deus. “Tornai-vos, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 5,1), é o que nos diz o Senhor. E somente poderemos imitá-Lo, na medida em que fazemos renúncias de nós mesmos: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

Nesse mundo, tensionado pelo hedonismo, ou seja, a busca excessiva pelo prazer, faz com que sejamos idolatrados e concentrados nesse ápice de egoísmo. Cristo deve ser a nossa meta e o alimento para fortalecer nossa disposição para irmos em movimento contrário aos ditames seculares. Não podemos nos enganar! É necessário seguir o modelo deixado por Jesus.

“Outrora éreis treva, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5,8), e somos nós quem escolhemos continuar em meio a escuridão, com a falsa impressão de estarmos robustecidos pela soberba como algo admirável, ou de sermos luz, para clarificar a vista daqueles que se encontram nessa escuridão. “Ninguém acende uma lâmpada para escondê-la debaixo de uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ela é posta no candelabro, a fim de que os que entram vejam a claridade” (Lc 8,16). Assim sendo, é possível colaborar para que seja manifesta a grande verdade e o maior bem: o Reino de Deus, nosso fim último.

E a cura para toda essa idolatria, consiste justamente neste ato: buscar a fonte da luz, que é o próprio Senhor. E, um dos momentos mais ricos e propícios para tal procura, se encontra na adoração ao Santíssimo Sacramento: quando nos tornamos verdadeiros adoradores de Jesus, deixamos nosso ego cair por terra e elevamos Aquele que é fonte e origem de todo bem, que é o próprio Pai do céu, manifestado pela presença eucarística. “Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-Lo em espírito e verdade” (Jo 4,24), conforme Cristo disse à samaritana junto ao poço de Jacó.

“Cada homem se torna a imagem do Deus que ele adora. Quem adora uma coisa morta, converte-se em uma coisa morta. Quem ama a corrupção fica podre. Quem ama coisas perecíveis, vive no medo da sua perdição”. (Thomas Merton)

Despertemos da escuridão! O Senhor nos faz o convite: “Ó tu, que dormes, desperta e levanta-te entre os mortos, que Cristo te iluminará” (Ef 5,14). Tenhamos a coragem de se abster de nós mesmos, para que Jesus se revele em nós, e assim, possamos participar e levar outros a participarem também, dos benefícios eternos, dispostos a partir do nosso despojamento, fruto da humildade ensinada na escola de Cristo.

Alisson Sales Prates, 3º ano do discipulado.

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