Virtuoso é ser assim

“Que a vida espiritual floresça e cresça, pelo mistério da cruz, pelo mistério da vida. Nós sabemos que para chegar a vida é preciso morrer.” Um dia encontrei um sacerdote baixinho, de cabelos grisalhos, olhar sereno, de quem descobriu a essência da vida, a batina abotoada até a altura dos joelhos e uma barriguinha avantajada, fruto do carinho de nosso povo, que demonstra seu amor com um pãozinho de queijo e um café quentinho.

A aparência de um vovozinho simpático, era somente reflexo da enorme bondade de seu coração. Logo de princípio ele me perguntou; “Irmão, você sabe que horas Deus criou o mundo?” Não contive minha surpresa, nem o sorriso e disse que não sabia. Ali começou uma jornada que nunca irei esquecer e pela primeira vez, vi um sacerdote se emocionar, me revelando que Deus criou o homem para descansar com ele no sétimo dia.

O Criador eterno que santifica todas as coisas, o seduziu pelo amor a sua Divina Palavra e colocou mel em sua boca para ensiná-la. Muito simples no meio de uma conversa, puxava o celular e por um aplicativo da Bíblia lia um versículo. A medida em que a palavra saia de sua boca, as lágrimas brotavam nos olhos.

Ainda nos últimos momentos de seus dias, falava sobre o mistério da vida. No auge de seus 72 anos, não se acostumou com essa dádiva e não sabia ainda dizer o que é a vida, só sabe que é mistério, ou melhor, sabe muito bem de uma coisa, que para viver é preciso morrer. A verdadeira vida ainda está por vir.

Virtuoso, virtude, vem do latim: virtus. Seu significado é força, virtude é força, ser virtuoso é ser forte.

Ser Virtuoso é ser devoto de Nossa Senhora, é ser humilde, é ser obediente, é ser bom, é ser amante da Palavra de Deus, é ter noção do mal e não o aceitar, acreditando no triunfo do Imaculado Coração de Maria.  

Virtuoso é aquele que tão próximo do Papai Deus, (como ele gostava de chamar o Pai do céu), morreu no Domingo, dia da ressurreição do Senhor e celebra seu sétimo dia no sábado, dia dedicado à Nossa Senhora.

Bom… na verdade ele dizia que era imortal, pois não tinha onde cair morto, então nunca morreria. Pode parecer uma anedota, mas ele tinha razão, pois somos eternos.

Imagine um bebê que no ventre de sua mãe prestes a nascer, se pergunta o que está acontecendo, depois de ter vivido tanto tempo ali dentro. Não sabe o que o aguarda e pode cogitar inúmeras possibilidades, a insegurança o assola, o medo, a incerteza. Não quer deixar sua vida nesse mundinho pequeno, aconchegante e perfeito, tudo está muito bom, mas chega um momento que é inevitável. Talvez passe por sua cabecinha que ali é o fim de sua jornada, no entanto, ao nascer, ele percebe que a jornada somente está começando.

Virtuoso, é aquele que deixa esse mundo com a certeza de que não morre, mas que passa a viver na morada do Pai, por isso, faço ecoar as palavras do salmista: “Como são amáveis tuas moradas, Senhor dos exércitos! Minha alma desfalece e suspira pelos átrios do Senhor. Meu coração e minha carne exultam no Deus vivo. Até o pássaro encontra casa e a andorinha o ninho, onde pôr os filhotes, junto a teus altares, Senhor dos exércitos, meu Rei e meu Deus. Feliz quem mora em tua casa: sempre canta teus louvores. Feliz quem encontra em ti força e decide em no seu coração a santa viagem.”

Wilmar Moreira, 1º ano da configuração.

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