Queres ser feliz? Sê casto!

Em que consiste a felicidade? O que é “ser casto”? Nos tempos hodiernos, ser feliz e ser casto estão completamente opostos, contrários. Um mundo completamente hedonista que busca uma falsa, uma aparente felicidade apenas no ter.

Queres ser feliz?

Sabes o que é felicidade? – estou esperando a resposta…

Felicidade, segundo a ética cristã, é o possuir, o almejar, o alcançar o seu fim último; “é a obtenção estável e perpétua do bem totalmente perfeito, amável por si, que sacia todas as exigências da natureza humana e culmina todos os seus desejos e aspirações”[1]. E para alcançar esse fim último, esse bem totalmente perfeito que sacia todos os nossos desejos e aspirações, precisa-se percorrer um caminho árduo e feliz, cujo meio para percorrer tal caminho é a castidade, é ser casto.

Sê casto!

Sabes o que é ser casto?…

Não, não sabes! Ser casto, ou viver a castidade, não é somente não ter uma vida sexual ativa, afinal os casais também podem e devem ser castos, viver a castidade. A castidade vai além do ato sexual abstido, é doação, é um estado de vida. A castidade é aquela “energia espiritual que sabe defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade, e sabe promovê-lo para a sua plena realização”[2].

Defender o amor. – Isto me chamou a atenção.

Como defender o amor sem se tornar uma pessoa egoísta? A resposta também está nesta definição: “promovendo-o para sua plena realização”. E qual é esta plena realização senão uma doação pessoal total de si a si e, consequentemente, aos outros? O amor exige doação, e uma doação total, desinteressada, uma doação fiel e fecunda, assim como fez Cristo na Cruz.

Assim somos – eu e você – chamados ao verdadeiro amor. A um amor superior, a um amor como dom de si, um amor de amizade e de oblatividade, isto é, um amor capaz de reconhecer e amar as pessoas por si mesmas. Um amor capaz de generosidade, de querer bem ao outro porque se reconhece que é digno de ser amado. Um amor que gera a comunhão entre as pessoas, visto que cada um considera o bem do outro como próprio. Cada ser humano é, portanto, chamado ao amor de amizade e de oblatividade. E só alcança esse amor superior quem é casto!

A medida em que se consegue defender e libertar o amor do egoísmo e da agressividade, o ser humano começa e canalizar este Bem, o seu amor superior, como um desejo insegurável, incapaz de ser contido, de se doar; a medida também que a castidade se enfraquece, sua capacidade de se doar também se esvai, tornando o amor uma mera satisfação de um desejo de prazer.

A castidade é a afirmação cheia de alegria de quem sabe viver o dom de si, livre de toda escravidão egoísta. A castidade torna harmônica a personalidade, fá-la amadurecer e enche-a de paz interior. E o que é essa paz interior senão uma felicidade de já ter alcançado, aqui na terra, o seu fim último?! Tudo se faz por amor, porque ama!

A castidade supõe muitas coisas, dentre elas, o domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: “ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa comandar por elas e torna-se infeliz”[3]. E o que seria alcançar a paz, senão ser feliz!?

Queres ser feliz? Ame! Seja dono de si! Alcance a paz! Seja livre! Viva bem! Sê casto!

Célio Rodrigues

[1] MARTINS FILHO, Ives Gandra. Manual esquemático de Filosofia. 4. ed. São Paulo: LTr, 2010.

[2] CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A FAMÍLIA. Sexualidade humana: verdade e significado, 1995.

[3] CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A FAMÍLIA. Sexualidade humana: verdade e significado, 1995.

Célio Rodrigues, 2º ano da configuração.

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